sexta-feira, 30 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Diversidade cultural
Memória Individual e Coletiva
Com a propagação da história das mentalidades na década de 70, suscitou nos dias de hoje um crescente interesse entre os historiadores pela memória. Segundo Patrick Hutton, desde aquela época já se tentava abordar aspectos da cultura popular que remetiam á constituição da memória, como a vida em família, os hábitos e os costumes de uma determinada região e os aspectos ligados á religiosidade.
A relação entre história e memória está cada vez mais freqüente entre os trabalhos mais recentes, onde estudiosos buscam estabelecer um conceito para memória. Entretanto, percebe-se uma fragilidade teórica estabelecendo uma discrepância entre a prática e o discurso da memória histórica e sua reflexão.
Na intenção de se estabelecer um conceito a cerca da memória devemos fundamentar o retorno às idéias de Maurice Halbwachs, que na década de 20 elaborou um estudo sociológico sobre memória coletiva. Trabalhos como Memória, Esquecimento, Silêncio e Memória e Identidade Social do historiador Michael Pollak e Les Lieux de Mémoire do historiador Pierre Nora estabelecem um constante diálogo com a obra deste pensador.
O cerne da obra de Maurice Halbwachs, Memória Coletiva, traz como norte a afirmação de que a memória individual se estabelece sempre a partir de uma memória coletiva, pois todas as lembranças idéias, reflexões, paixões e sentimentos individuais têm as suas origens e inspirações constituídas no interior de um grupo. A memória coletiva traz consigo uma importância no momento em que contribui para o sentimento de inserção do indivíduo em um grupo com um passado comum, relegando ao mesmo uma identificação pessoal calcada em uma memória compartilhada, tanto no campo histórico, do real, quanto no campo simbólico.
O indivíduo carrega consigo a lembrança que se estabelece através de sua interação com a sociedade, onde a rememoração individual se faz na construção das memórias dos diferentes grupos com que se relaciona, estando mergulhada nas memórias dos que nos rodeiam e até mesmo daqueles que não estão presentes. As lembranças germinam das diversas memórias propostas pelo grupo que Halbwachs denomina como, “comunidade afetiva”. Segundo este conceito, as lembranças individuais dificilmente irão se distanciar das lembranças compartilhadas, estando relacionadas com tal intimidade, que mesmo as modificações da memória individual se rearticulam com as mudanças da memória coletiva.
Na opinião de Paul Ricoeur, as questões específicas da memória se definem pela duplicidade do público e do privado, em razão da experiência interior, a memória frente à tradição filosófica se estabeleceu desde os tempos remotos como imaginação, onde o passado é construído e transposto por imagens e representações. Portanto, a percepção de uma memória determinada pelo imaginário, segundo Ricoeur, emerge em um conceito vulnerável. Deste modo, o conceito de memória coletiva estruturado dentro de uma visão positivista abre novas perspectivas de análise histórica, onde nos estudos de Maurice Halbwachs, a memória não se fundamenta apenas como um fenômeno de interiorização individual, sendo uma construção social e um fenômeno puramente coletivo, Halbwachs parte da oposição entre o universo da memória (experiência vivida, afeto, imagem etc.) e o da história (problema de conceito, crítica). Halbwachs se pauta na realidade, a história como o lugar da objetividade, da não inserção do sujeito histórico, da simples descrição do que ocorreu no plano factual.
Em meados da década de 90, Ricoeur estabelece novas reflexões sobre a temática da memória e da história, tendo como origem a apresentação de uma formação simultânea, onde a memória privada e a memória pública se entrelaçam. Contudo, Ricoeur ressalta alguns aspectos que poderiam caracterizar a memória como sendo apenas de ordem privada. O sentimento de apropriação da memória por um indivíduo, é um destes aspectos, pois ela seria intransferível sendo parte constituinte das experiências do sujeito, outro aspecto, seria a memória como fundamento da continuidade temporal do indivíduo. Observa-se ainda, a existência de uma relação entre a experiência do presente e do futuro, onde a memória permitiria a percepção e compreensão da passagem do próprio tempo.
Segundo Ricoeur, a percepção da memória coletiva apesar de suas desventuras epistemológicas é fundamental na compreensão do fenômeno da memória. De acordo com Halbwachs, o qual demonstra que nossas lembranças se fundamentam nas narrativas coletivas, se estabelecendo, ou seja, se firmando por meio das comemorações públicas da história coletiva.
Paul Ricoeur propõe uma diferenciação entre os conceitos de rememoração e comemoração, onde o primeiro trata-se de um processo de elaboração individual enquanto o segundo é fruto da construção de uma memória coletiva. Esta relação entre memória coletiva e individual se estrutura na construção de uma identidade impressa no tempo e na ação.
Enfim, tanto Paul Ricoeur quanto Maurice Halbwachs ressaltam que a identidade individual provém da identidade do grupo no qual o indivíduo se insere, entretanto, a percepção destas experiências coletivas se imprimem de modo distinto entre os sujeitos, porém, sem deixar de lado os aspectos característicos da memória comum aos pares.
BIBLIOGRAFIA
HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Vertice, 1990.
RICOEUR, Paul. Entre mémoire et histoire.
RICOEUR, Paul. Memoria e Imaginación.
A relação entre história e memória está cada vez mais freqüente entre os trabalhos mais recentes, onde estudiosos buscam estabelecer um conceito para memória. Entretanto, percebe-se uma fragilidade teórica estabelecendo uma discrepância entre a prática e o discurso da memória histórica e sua reflexão.
Na intenção de se estabelecer um conceito a cerca da memória devemos fundamentar o retorno às idéias de Maurice Halbwachs, que na década de 20 elaborou um estudo sociológico sobre memória coletiva. Trabalhos como Memória, Esquecimento, Silêncio e Memória e Identidade Social do historiador Michael Pollak e Les Lieux de Mémoire do historiador Pierre Nora estabelecem um constante diálogo com a obra deste pensador.
O cerne da obra de Maurice Halbwachs, Memória Coletiva, traz como norte a afirmação de que a memória individual se estabelece sempre a partir de uma memória coletiva, pois todas as lembranças idéias, reflexões, paixões e sentimentos individuais têm as suas origens e inspirações constituídas no interior de um grupo. A memória coletiva traz consigo uma importância no momento em que contribui para o sentimento de inserção do indivíduo em um grupo com um passado comum, relegando ao mesmo uma identificação pessoal calcada em uma memória compartilhada, tanto no campo histórico, do real, quanto no campo simbólico.
O indivíduo carrega consigo a lembrança que se estabelece através de sua interação com a sociedade, onde a rememoração individual se faz na construção das memórias dos diferentes grupos com que se relaciona, estando mergulhada nas memórias dos que nos rodeiam e até mesmo daqueles que não estão presentes. As lembranças germinam das diversas memórias propostas pelo grupo que Halbwachs denomina como, “comunidade afetiva”. Segundo este conceito, as lembranças individuais dificilmente irão se distanciar das lembranças compartilhadas, estando relacionadas com tal intimidade, que mesmo as modificações da memória individual se rearticulam com as mudanças da memória coletiva.
Na opinião de Paul Ricoeur, as questões específicas da memória se definem pela duplicidade do público e do privado, em razão da experiência interior, a memória frente à tradição filosófica se estabeleceu desde os tempos remotos como imaginação, onde o passado é construído e transposto por imagens e representações. Portanto, a percepção de uma memória determinada pelo imaginário, segundo Ricoeur, emerge em um conceito vulnerável. Deste modo, o conceito de memória coletiva estruturado dentro de uma visão positivista abre novas perspectivas de análise histórica, onde nos estudos de Maurice Halbwachs, a memória não se fundamenta apenas como um fenômeno de interiorização individual, sendo uma construção social e um fenômeno puramente coletivo, Halbwachs parte da oposição entre o universo da memória (experiência vivida, afeto, imagem etc.) e o da história (problema de conceito, crítica). Halbwachs se pauta na realidade, a história como o lugar da objetividade, da não inserção do sujeito histórico, da simples descrição do que ocorreu no plano factual.
Em meados da década de 90, Ricoeur estabelece novas reflexões sobre a temática da memória e da história, tendo como origem a apresentação de uma formação simultânea, onde a memória privada e a memória pública se entrelaçam. Contudo, Ricoeur ressalta alguns aspectos que poderiam caracterizar a memória como sendo apenas de ordem privada. O sentimento de apropriação da memória por um indivíduo, é um destes aspectos, pois ela seria intransferível sendo parte constituinte das experiências do sujeito, outro aspecto, seria a memória como fundamento da continuidade temporal do indivíduo. Observa-se ainda, a existência de uma relação entre a experiência do presente e do futuro, onde a memória permitiria a percepção e compreensão da passagem do próprio tempo.
Segundo Ricoeur, a percepção da memória coletiva apesar de suas desventuras epistemológicas é fundamental na compreensão do fenômeno da memória. De acordo com Halbwachs, o qual demonstra que nossas lembranças se fundamentam nas narrativas coletivas, se estabelecendo, ou seja, se firmando por meio das comemorações públicas da história coletiva.
Paul Ricoeur propõe uma diferenciação entre os conceitos de rememoração e comemoração, onde o primeiro trata-se de um processo de elaboração individual enquanto o segundo é fruto da construção de uma memória coletiva. Esta relação entre memória coletiva e individual se estrutura na construção de uma identidade impressa no tempo e na ação.
Enfim, tanto Paul Ricoeur quanto Maurice Halbwachs ressaltam que a identidade individual provém da identidade do grupo no qual o indivíduo se insere, entretanto, a percepção destas experiências coletivas se imprimem de modo distinto entre os sujeitos, porém, sem deixar de lado os aspectos característicos da memória comum aos pares.
BIBLIOGRAFIA
HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Vertice, 1990.
RICOEUR, Paul. Entre mémoire et histoire.
RICOEUR, Paul. Memoria e Imaginación.
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